terça-feira, 23 de dezembro de 2008

A Mágia das coisas

Eu não sei explicar, não sei mesmo.....

é algo mágico que só o natal pode fazer com a gente.......

algumas coisas estão sendo revistas na minha vida, isso não significa que eu tenho que mudar algumas coisas, só estou parando aquie olhando para tráz, acho que esqueci de algumas coisas das quais não deveria.

Eu descobri, faz pouco tempo, que por alguma razão não tão obvia, eu tenho um tipo de bolha em volta que repeli qualquer tipo de sentimento que as pessoas queira senti ou se aproximar.

Não vijo isso como um ponto negativo, mas aparti do momento em que eu esqueço de em certos momentos sair dessa bolha, ai sim será um ponto negativo.......

Mas sabe de uma coisa, eu não estou nem ai pra nada, não me importo mais de verdade, atirei para o universo, porque eu esotu um pouco cansada de pensar, estou de férias e vou dar férias não só ao meu comrpo, mas principalemnte a minha mente.......

Cansei de pensar, cansei de elaborar............

No momento eu estou só agurdando o proximo momento da minha vida, sem expectativas, sem planejamento, e estou largando a a vela e deixando o vento me levar.....

Há no entato, uma mensagem que eu quero deixar pq eu achei muito bonita!

EU, MODO DE USAR:

Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir. Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar. Acordo pela manhã com ótimo humor mas... permita que eu escove os dentes primeiro. Toque muito em mim, principalmente nos cabelos e minta sobre minha nocauteante beleza. Tenho vida própria. Faça-me sentir saudades, conte algumas coisas que me façam rir, mas não conte piadas e nem seja preconceituoso, não perca tempo, cultivando este tipo de herança de seus pais. Viaje antes de me conhecer, sofra antes de mim para reconhecer-me um porto, um albergue da juventude. Eu saio em conta, você não gastará muito comigo. Acredite nas verdades que digo e também nas mentiras, elas serão raras e sempre por uma boa causa. Respeite meu choro, me deixe sozinha, só volte quando eu chamar e, não me obedeça sempre, que eu também gosto de ser contrariada. (Então fique comigo quando eu chorar, combinado?). Seja mais forte que eu e menos altruísta! Não se vista tão bem... gosto de camisa para fora da calça, gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço. Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto: boca, cabelos, os pelos do peito e um joelho esfolado, você tem que se esfolar às vezes, mesmo na sua idade. Leia, escolha seus próprios livros, releia-os. Odeie a vida doméstica e os agitos noturnos. Seja um pouco caseiro e um pouco da vida, não de boate que isto é coisa de gente triste. Não seja escravo da televisão, nem xiita contra. Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai. Escolha um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o invente muitas vezes.
Enlouqueça-me uma vez por mês, mas me faça uma louca boa, uma louca que ache graça em tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca... Goste de música e de sexo. Goste de um esporte não muito banal. Não invente de querer muitos filhos, me carregar para a missa, apresentar sua família... Isso a gente vê depois... Se calhar... Deixa-me dirigir o seu carro, que você adora. Quero ver você nervoso, inquieto, olhe para outras mulheres, tenha amigos e digam muitas bobagens juntos. Não me conte seus segredos... Faça-me massagem nas costas. Não fume, beba, chore, eleja algumas contravenções. Rapte-me! Se nada disso funcionar... Experimente me amar!

(Martha Medeiros)

Desejo-me um bom natal e um bom ano novo!

domingo, 19 de outubro de 2008

O Mal-estar na Civilização - Parte II

“A busca da felicidade”

Por Sigmund Freud

Para Freud, o homem tem que acreditar em uma figura que velará por sua vida e lhe dará gratificações futuras por uma frustração atual. Diz também, que o homem comum só pode imaginar essa figura como algo ilimitadamente engrandecido, pois só assim ele poderá perdoá-lo pelo mal cometido e atender as suas necessidades. O autor julga essa atitude infantil e afirma que esse comportamento é adotado pela maioria da humanidade. Freud ainda nos relata que os homens, além de tomar essa atitude, a defendem veementemente sem ao menos perceber ou até saber o que estão defendendo, e mesmo sabendo que é uma atitude insustentável.

Freud, referindo-se a religião com a arte e a ciência, cita no texto essa frase ‘Wer Wissenschaft und Kunst besitzt, hat auch Religion; Wer jene beide nicht besitzt,

der habe Religion!’. Essa frase traça uma antítese sobre as maiores realizações do homem e a religião. Traduzindo quer significar que quem possui a ciência e a arte tem até mesmo a religião, e aqueles que não possuem nem a arte e nem a ciência, ainda possuem a religião. Pra Freud quer significar uma muleta. Segundo o autor, ‘a vida, tal como a encontramos, é árdua demais para nós’, de modo que temos nos apoiar em algo para podermos passar mais facilmente pela vida. Essas “muletas” se dividem em três grupos. Os derivativos poderosos, que nos fazem extrair luz de nossa desgraça; satisfações substitutivas, que a diminuem; e substâncias tóxicas, que nos tornam insensíveis a ela. No entanto, não é simples perceber onde a religião se encontra entre essas divisões.

A questão do propósito da vida humana é levantada, e é apresentado que, mais uma vez, apenas a religião poderá resolver essa pergunta. Contudo, esse propósito se forma e desmorona no sistema religioso. Partiremos para outra questão. O que pedem os homens da vida e o que pretende nelas realizar? Freud responde essa pergunta com a felicidade. O homem está sempre querendo estar feliz e assim permanecer. E essa felicidade se resume em ausência de sofrimento e desprazer ou a experiência de intensos sentimentos de prazer.

Freud nos diz, que por fim, o que decide o propósito da vida é ‘simplesmente o programa do princípio do prazer’. Porém, esse programa de principio de prazer, está em desacordo com o mundo inteiro, seja macro ou micro. Restou-nos a dizer ‘que a intenção de que o homem seja ‘feliz’ não se acha incluída no plano da ‘Criação’. Ainda para Freud, o sentimento de felicidade é alcançado quando há a satisfação de necessidades represadas em alto grau, sendo por sua natureza, possíveis apenas por manifestações episódicas.

Sendo assim, as nossas possibilidades de felicidade são restringidas por nossa constituição. E a infelicidade é menos difícil de se experimentar. O autor defende que essa infelicidade provém de três direções, do nosso corpo decadente, do mundo exterior e o do nosso relacionamento com os outros homens. Ele defende ainda, que com tantas possibilidades de obter infelicidade, estamos acostumados a moderar nossas reivindicações de felicidade. E que, além disso, transformamos o fato de escaparmos de uma infelicidade em uma felicidade. Por isso estamos tão focados em escapar das do sofrimento que deixamos o principio de obter prazer, em segundo plano.

Vários métodos foram sido ensinados durante séculos para aproveitar nossos prazeres, porém isso significa colocar o gozo antes da cautela, gerando seu próprio castigo. Os outros métodos de fugir do desprazer variam de acordo com o problema. Neste caso, em questão de problemas com as outras pessoas, é mais comum o isolamento humano. Com o problema com o mundo externo, só podemos nos afastar dele para que nós possamos solucionar a tarefa. No entanto, Freud nos diz que há um caminho melhor: ‘o de tornar-se membro da comunidade humana e, com o auxílio de uma técnica orientada pela ciência, passar para o ataque à natureza e sujeitá-la à vontade humana’. É um trabalho de todos para o bem de todos. Contudo, para o autor, os métodos mais eficazes de evitar o sofrimento são os que buscam influencia no nosso próprio organismo. Como uma ultima análise, ele procura resumir que todo o sofrimento não passa apenas de sensações: ‘só existe na medida em que o sentimos, e só o sentimos como nosso organismo está regulado’. E o mais grosseiro, porém mais eficaz desses modos de evitar o sofrimento é a intoxicação. Devemos ‘a tais veículos não só a produção imediata de prazer, mas também um grau altamente desejado de independência do mundo externo, pois se sabe que, com o auxílio desses ‘amortecedores de preocupações’’. No entanto sabe-se que essas propriedades de intoxicastes podem causar danos perigosos ao nosso organismo.

Assim como a satisfação do instinto nos traz felicidade, o fato de nos decepcionarmos quando uma de nossas expectativas não nos é alcançada nos traz o sofrimento, faz com que tentamos muitas maneiras de controlarmos nossos instintos para, assim, mais uma vez transformamos o modo de não sofrimento em felicidade. Desde modo, controlando nossos instintos, não nos decepcionamos na não realização de nossa satisfação por simplesmente inibi-la. Entretanto o sentimento de felicidade obtido pela satisfação de um instinto que não foi inibido é por vezes maior que o que foi. Com isso, aqui o autor propõem, que a irresistibilidade dos instintos não domados e a atração pelo proibido encontra uma explicação econômica.

Outra técnica apresentada para afastar o sofrimento consiste na reorientação dos objetivos instintivos de modo que iludam a frustração do mundo externo. Aqui, a obtenção do prazer consiste em intensificá-la o suficiente a partir de produções próprias do psíquico ou intelectual. Porém, sua intensidade é pouca comparada à satisfação de instintos primários e secundários, e, ainda, esse é um tipo de satisfação aplicado aos poucos que tem a capacidade da criação. Por fim, não cria uma armadura impenetrável contra as armadilhas do destino e freqüentemente falha quando a fonte do sofrimento é o próprio corpo da pessoa. Se esse processo já nos mostra a intenção de buscar a satisfação em processos psíquicos internos, a região da imaginação nos afirma isto com mais veemência. Nele, a realidade é pouco presente e o que resta é a imaginação do sujeito que fantasia a sua felicidade através da mente. Aqui, Freud explica que a satisfação é obtida através de ilusões do prazer deixando de lado, temporariamente, o real.

O próximo processo, Freud considera o mais completo e energético. Neste, a realidade é tida como a única inimiga e a origem de todo o sofrimento, de maneira que propõe a felicidade através do rompimento com a realidade. Aqui há um rompimento com a realidade de modo a não tratar com ela, ou ainda criar uma realidade própria para si adequando a seus próprios desejos. No entanto, a realidade é forte demais e quem se aventura por este meio, torna-se um louco pela falta do real. Ainda assim, o autor afirma que todos nós aplicamos um pouco desde processo em nossas vidas, corrigindo algum aspecto do mundo que nos é insuportável e aplicado nossos desejos na realidade. Esse remodelamento da realidade em busca da proteção do sofrimento, ganha maior importância, quando é realizado em grupo. Aqui se encontra o caso das religiões.

Em outro processo a ser tratado, Freud explica daquele que faz do amor o centro de tudo, que busca toda a satisfação em amar e ser amado. Esse processo não se desprende da realidade, pelo contrário, prende-se a objetos desde mundo e obtém felicidade através de relacionamentos emocionais com eles. Entretanto, quando amamos, ficamos mais vulneráveis ao sofrimento do que em qualquer outro processo. Encontramos-nos desesperadamente infelizes quando perdemos o ser amado ou o seu amor.

É explicado ainda o processo em que a busca da felicidade é feita através da fruição da beleza. Neste caso, é pouca a proteção contra a ameaça do sofrimento, mas é bastante compensado quando a expectativa da beleza é alcançada, seja qual for à área. A ciência, embora tenha pesquisados os causadores da sensação do sentimento do belo, não pode fornecer a explicação da origem da beleza. A psicanálise também, porém defende a sua derivação do sentimento sexual, em que a definição de “beleza” e “atração” são, originalmente, atributos do objeto sexual.

Por fim, Freud faz algumas conclusões sobre a investigação. O homem é quem prioritariamente decide a sua busca pela felicidade. É ele quem decidirá e seguirá pelo aspecto positivo, a busca do prazer, ou o aspecto negativo, a fuga do desprazer. E é ainda o homem quem escolhe a sua forma de buscar satisfação adaptando-a aos seus desejos. Sendo, assim cada homem se adequará a uma forma de buscar a felicidade de acordo com seu estilo de vida. O êxito desse homem jamais é certo, pois independe de sua vontade apenas, e é completamente dependente do mundo alheio. O que valerá aqui é a sua capacidade psíquica de adequar sua função ao meio externo de modo a encontrar a melhor forma para explorá-lo a fim de satisfazer seu prazer pessoal.

Freud analisa que a religião se restringe a qualquer forma de adaptação individual e propõe igualmente a todos o seu próprio caminho para a aquisição da realidade e a proteção contra o sofrimento. Nas palavras de Freud ‘Sua técnica consiste em depreciar o valor da vida e deformar o quadro do mundo real de maneira delirante – maneira que pressupõe uma intimidação da inteligência. ’. Freud julga que por conseqüência dessa técnica, acaba por infantilizar o psicológico das pessoas, arrastando-as para um delírio de massa. No entanto, acaba apenas por poupar muitas pessoas da neurose individual. Existem muitos caminhos para a felicidade, mas nenhum deles é suficientemente eficaz e seguro, e mesmo a religião não mantém a sua promessa, e tudo o que sobra ao crente é a submissão incondicional.

Gabriela Kuhn
CRAV 2007
Outubro de 2008.

domingo, 28 de setembro de 2008

Mídia

Ética da mídia

Por Boris Libois

O campo histórico e sociólogo coberto pela referência à ética da mídia é extremamente diversificado e até heterogêneo. Em primeiro lugar, do ponto de vista da pluralidade dos suportes técnicos da comunicação midiática. Em seguida, do ponto de vista da diversidade dos suportes editoriais. E por fim, do ponto de vista dos profissionais que intervém sobre essas questões.
Quatro grandes doutrinas estruturam o campo histórico e sociólogo da ética da comunicação e informação. São elas: a doutrina autoritária, a doutrina libertária, a doutrina liberal e a doutrina da responsabilidade social da mídia. Na realidade, a problemática ética do domínio da mídia é ainda realidade na Europa e nos Estados Unidos. Trata-se, atualmente de determinar a problemática ética na mídia comum a todos os suportes de comunicação e as diversificadas profissões. O credo da ética da mídia pode ser entendido a priori da mídia ou no modo de formulação e uso dos anseios normativos ao seu respeito.

Quatro doutrinas principais

A problemática ética a respeito da mídia desenvolveu-se em torno de dois eixos principais: o reconhecimento formal da liberdade de comunicação e a organização da responsabilidade editorial.
O primeiro consagra a liberdade de empreendimento do domínio da mídia, e por outro lado, o reconhecimento da liberdade de expressão. Aqui, duas doutrinas se contrapõem: a concepção autoritária da liberdade de comunicação e a concepção libertária.
A doutrina autoritária caracteriza-se por uma autorização preliminar relacionada com a liberdade de expressão publica individual, com seu conteúdo e suas formas materiais. A liberdade e a responsabilidade estão submissas a um regime de controle a priori, exercido pelas autoridades politico-administrativas.
A doutrina libertária caracteriza-se pelo reconhecimento geral da liberdade individual de expressão de opiniões e de informações. A responsabilidade, neste caso, é assegurada a posteriori.
O segundo trata das contrapartidas a liberdade geral de comunicação a fim de evitar uma redução da mídia a um estatuto de simples protagonista econômico industrial. Duas doutrinas se destacam aqui: a doutrina liberal da liberdade de comunicação e a doutrina de responsabilidade social da mídia.
A doutrina liberal da liberdade de comunicação defende que a legitimidade de uma intervenção do estado é reconhecida, contanto que seja limitada a uma correção da lógica do mercado.
A doutrina de responsabilidade social da mídia também rejeita qualquer tipo de intervenção preliminar da liberdade de expressão e informação. E contrapartida, ela reconhece que a mídia tem deveres e responsabilidades particulares em relação a coletividade.

Problemática

Caracterizada por uma ideologização da critica do estado, a doutrina libertaria rejeita em bloco qualquer forma de ação publica no domínio da comunicação. Além disso, a doutrina libertária desqualifica cada um dos elementos distintos dessa seqüência histórica particular.
As outras doutrinas no domínio da liberdade da comunicação poderão ser decifradas com uma tentativa de desenredamento progressivo e parcial dessa seqüência, reconhecendo uma autonomia própria a cada um de seus componentes e inscrevendo-se de maneira mais global no eterno processo de desincorporação do poder e de dessubstânciação da norma. Em outras palavras a intervenção publica poderia assumir outra forma que não a censura preliminar, sem ser restritiva para a liberdade. Da mesma forma, ela poderia pesar igualmente sobre os conteúdos veiculados pela mídia, sem ditar arbitrariamente seu teor.
Em conclusão, a comunicação midiática é o objeto principal de uma ética contemporânea da mídia, propriamente democrática e não somente não-autoritária: ela deverá tornar essa comunicação midiática satisfatória em relação às exigências normativas da intersubjetividade, sem por isso regredir em relação às capacidades funcionais de eficiência e de autonomia oferecidas pelo serviço midiático.

Gabriela Kuhn

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

1989

Próximo do meu aniversário, posto aqui, notas do ano que nasci.

1989

O ano de 1989 foi um ano de passagem. Tudo era passageiro, descartável. A moda, o papel do pirulito e até o governo. Abriu-se a passagem da liberdade. Os jovens, que já tinham começado a enxergar o que acontecia de verdade, a agir e a desalienar-se, porém agora, já estavam de olho em outras coisas. Estavam aproveitando a vida, porque “o amanhã era incerto”. Com isso, doenças passaram a se disseminar e Cazuza, nos mostrou com apenas uma imagem, as conseqüências dessas doenças. Afinal uma imagem vale mais do que mil palavras, e 1989 foi o ano das imagens.

Nossos atos eram importantes e o que fazíamos aqui tinha repercussão no outro lado do planeta. Isso tudo, porque o mundo passou a olhar para os lados e ver o que acontecia no vizinho. Já dependíamos um dos outros então começamos a cuidar um dos outros e a interferir um nos outros.

Foi um ano High Tech. Um ano do “ao vivo”. A comunicação foi facilitada e as pessoas já não pertenciam mais a sua cidade, mas sim ao mundo. Porque rompemos fronteiras. Porque já se podia saber o que acontecia no agora em todo o planeta.

Abrimos passagem, derrubamos um muro e criamos contatos.

O ano foi de grandes acontecimentos, e também de acontecimentos não tão visíveis assim, mas que tiveram repercussão. Foi um ano de passagem de uma guerra camuflada para uma guerra que marcou por imagens assustadoras. Uma guerra que ocorreu antes de 1989, deu fim ao comunismo no ano, e que, depois, chocou o mundo.

E 1989 têm o que a ver com isso? As duas guerras não foram nesse ano, mas foi em 1989 que o comunismo desmoronou junto com o muro. Com o apoio não declarado pelos Estados Unidos, o Afeganistão venceu a guerra. Porém os nossos amigos americanos não sabiam que estavam treinando algo que desmoronaria suas estruturas anos depois. O Afeganistão recebeu treinamento de guerra armas e suprimentos, mas e depois? Depois que seu país foi destruído, que estavam em ruínas? Eles já não tinham com quem contar depois. E um país que vence seu inimigo sem precisar sacrificar nenhum de seus soldados e passa por um 1989 heróico, acaba perdendo milhares de civis anos depois. Isso por serem incapazes de perceber o erro que fizeram investindo 1 bilhão de dólares em uma guerra e não investido nem 1% desse valor na reconstrução de seu campo de batalha contra a União Soviética.

A moda também é um exemplo de passagem. Moda essa que seguia as tendências que passavam na televisão. E passavam mesmo, pois a cada novela era uma versão nova de moda. A moda era só um reflexo do que acontecia com a sociedade. Uma sociedade de momentos passageiros. Momentos que aconteciam “aqui e agora” e passavam.

E a moda era do mundo, víamos tudo na televisão e copiávamos. Copiávamos bastante, porque tudo que era moda hoje passava, e talvez amanhã já fosse brega. Na verdade só copiávamos e consumíamos. Viramos um mundo globalizado e capitalista.

Na televisão produzíamos, mas também nos era vendido enlatados Americanos. Ah e os Americanos! Esse concerteza foi um ano americano. Mas eles já eram potência mesmo antes de 89. O que aconteceu é que agora nós o olhávamos com olhos não tão receptivos.

Em 1989 vimos o nosso primeiro regime democrático, e junto com ele, passamos por uma inflação absurda que ajudou a eleger um presidente que levou nossa economia a falência e atrasou o país em anos. Vimos nosso dinheiro se tornar passageiro. Hoje valia muito, mas amanhã não comprávamos nem o pirulito que voava.

Mas nós globalizamos, e tudo continuou passando.

Definitivamente 89 não foi um ano apenas. Foram 364 dias que enfrentaram conseqüências de anos anteriores e que geraram conseqüências nos anos que vieram. Passamos por uma transformação na sociedade, na política e na economia. Passamos a aproveitar, e passamos a cruzar o mundo. Passamos a nos comunicar e a exercer diplomacia. Passamos a viver em um mundo que está mudando constantemente e que nos espera a fazer alguma coisa por ele. Iniciamos nossa convivência, mas é uma pena que ainda não aprendemos a conviver.

Gabriela Kuhn

terça-feira, 27 de maio de 2008

Libra

Eu, uma libriana nata
80% deste texto é verdade!

- É o encantador signo de Ar, dono da 7ª casa zodiacal, regida por Vênus ( assim como Touro).
Donos de uma personalidade fascinante, este signo se dá bem com todo mundo, por uma razão muito especial: eles estão sempre em cima do muro, são donos de uma atitude política encantadora, talvez mais diplomática que política.
Fazem tudo para se dar bem com todos, e não demonstram muito o que lhes vai por dentro. São donos de uma inteligência acima da média, e via de regra são donos de grande beleza física. Se em contato com signos de Fogo, tratam de ceder seu Ar para alimentar o Fogo dos parceiros.
Racionalizam as emoções desmedidas dos signos de Água, e diminuem a dureza dos signos de Terra. É o signo do companheirismo, da amizade, do casamento.
Gostam do equilíbrio, da harmonia, detestam ambientes conturbados, mas não lhes pergunte nada, eles escorregam como sabão.
Não gostam de se comprometer. São leais, éticos, e embora tenham certas características diplomáticas, são confiáveis.
Conseguem criar harmonia onde quer que estejam, e fazem de qualquer lugar um ambiente bonito. Geralmente casam-se cedo e para a vida toda.


Signo de Libra

Principal Característica: a busca do outro, a sociabilidade
Qualidade: diplomacia, elegância, simpatia, bom senso
Defeito: hesitação, necessidade de agradar, dificuldade com conflitos

"A ti Libra, dou a missão de servir, para que o homem esteja ciente dos seus deveres para com os outros; para que ele possa aprender a cooperação, assim como a habilidade de refletir o outro lado de suas ações. Hei de te levar onde quer que haja discórdia, e por teus esforços te concederei o Dom do Amor."
E Libra voltou ao seu lugar.
(Original de Martin Schulman – Karmic Astrology: The Moon’s Nodes and Reincarnation, 1977)
O antigo nome de Libra era 'Balança'. A balança estava associada ao ato de medir, dividir, pesar, ou seja, era a busca do justo, do exato, do correto.
A primeira coisa que chama a atenção quando você conhece um libriano é a sua sociabilidade, cordialidade, simpatia. Mesmo os librianos mais tímidos são em sua natureza sociáveis, buscam a interação com as pessoas.
Porém, essa é uma imagem superficial do libriano. Há muito mais dentro de um libriano do que a simpatia. Para isso, temos que conhecer a história básica desse signo.
Primeiramente é um signo do Ar, portanto, a mente é o guia do libriano. Não estamos dizendo com isso que ele é exclusivamente racional, mas o libriano procura 'pensar' sobre as coisas ao seu redor, sobre as pessoas, os sentimentos. Em segundo lugar, é um signo cardinal, portanto voltado a ação. Somando ambas as características vemos que ele é ativo (cardinal) com a sua mente (Ar). E também o elemento Ar é o mais humano de todos (não há nenhum animal que simbolize um signo de Ar), o mais sociável, então podemos entender porque, dos três signos do Ar, o libriano é o que busca mais ativamente (cardinal) o contato com as pessoas (Ar).
Todos os signos do Ar têm o pai como o formador da sua personalidade. Não se trata de o pai ser 'melhor' do que a mãe, pois essa seria uma afirmação tendenciosa, apenas é o pai quem moldou a personalidade do filho, influenciou-a. Ele se parece mais com o pai do que com a mãe.
O libriano nasce em uma situação de conflito entre os seus pais. É bom salientar que isso pode ser real ou não, mas esse é o modo como o libriano percebe as coisas. Ele vê o pai de um lado, com um tipo de opinião e personalidade, e a mãe de outro. Desde cedo, inconscientemente, ele tenta fazer uma ponte entre ambos, conciliar as diferenças. Vem daí a característica conciliadora, diplomática e de equilíbrio do libriano. Em um conflito, o libriano opta primeiro pelo entendimento. Para ele, é angustiante a divisão.
A segunda característica libriana é a 'preocupação com o outro'. Você veja, ele era apenas uma criança quando começou a se preocupar com os pais, a querer uni-los. É claro que a união deles trará também paz e unidade para o libriano, mas de qualquer forma ele primeiro está se preocupando com outrem para atingir isso. O lado positivo dessa atitude, é que o libriano é alguém capaz de entender o outro, mostrar-se amigo, conversar. O lado negativo é que, por vezes, ele pode 'fazer o que o outro quer' para não provocar um conflito. Não estamos falando de grandes coisas, embora elas também possam ser possíveis, mas de pequenos gestos, como sair com um amigo mesmo que não esteja com vontade só para não deixá-lo na mão. Que isso aconteça poucas vezes, não há problema, o problema é quando o libriano começa a conciliar demasiadamente, a aturar por muito tempo, a 'ceder' demasiadamente, até que um dia tenha que 'explodir' ou surpreender as pessoas a sua volta para poder se livrar da situação.
Por que se diz tanto que o libriano conhece as artes da diplomacia? Porque o libriano é consciente de que com simpatia é possível se conseguir muitas coisas. O libriano tem uma enorme facilidade em lidar com as pessoas e descobrir o que elas querem. Dessa forma, consegue a cooperação delas. E ele usa muito a razão para fazer isto, e entra em contato com a parte racional das pessoas, aquela que responde a gentilezas, educação, etc.
Algumas coisas, entretanto, não podem ser resolvidas apenas com base na diplomacia, e os librianos aprendem isso enquanto vão crescendo. É um conflito fundamental para o libriano a questão de como usar a razão para resolver uma situação de disputa ou divisão.
Também fala-se muito da questão do equilíbrio. Nota-se esse conceito em muitas coisas na vida do libriano, na boa estética da sua casa, na escolha adequada de suas roupas, e na maneira em que tentam interagir com o outro de forma a ambas as partes saírem satisfeitas. O equilíbrio é algo muito importante para o libriano. Ele prefere ser moderado, dar-se bem com todos, ao invés de assumir uma postura radical. Algumas vezes, porém, pode ter dificuldade em assumir sua personalidade, seus gostos e preferências por causa disso.
Também na sua vida procura distribuir-se entre trabalho, relacionamentos, amor, interesses pessoais. O equilíbrio do libriano não é estático, e nem poderia ser, por isso quando sente que está exagerando em uma conduta, tenta reagir e utilizar outra. Por isso, ele está em eterno movimento, afinando a sua vida constantemente, como a um instrumento.
Por que se diz que alguns librianos são muito 'superficiais', só querem saber das coisas boas, não querem ver as más? Justamente pela questão do equilíbrio. Se se interessarem demasiadamente em descobrir tudo com profundidade, perderão o equilíbrio. É mais ou menos como caminhar sobre uma corda, você precisa ver a corda e enxergar a sua frente. Se perder qualquer um dos dois de vista, cairá. O equilíbrio, por natureza, solicita que você mantenha sempre dois ou mais pontos de vista.
Para não se envolver demasiadamente, todo o libriano aprendeu que é necessário um pouco de distanciamento, e é isso que as pessoas dizem ser superficiais. Se ele percebe que você insiste em falar em assuntos difíceis, complexos ou mesmo negativos, ele tenta 'contrabalançar' (uma palavra bem libriana) com outra atitude. Ele acha que você precisa retornar a um relativa sensação de bem estar para enxergar melhor. Por isso, de um modo geral, os librianos evitam as pessoas muito complexas ou até mesmo 'negativas', pois para os librianos elas estão muito em um extremo, e o lema do libriano é 'nem tanto à terra, nem tanto ao mar'. Eles também evitam as pessoas muito assertivas, com opiniões muito fortes, porque são pessoas menos interessadas em manter uma certa moderação. Porém, algumas vezes, curiosamente, se sentem fortemente atraídas por elas. Talvez por que sintam que elas o complementem, digam o que ele não diz, enquanto o libriano fornece a elas mais moderação.
A maior dificuldade do libriano é quando ele se sente dividido. Lembre-se de que o conflito dele foi entre o pai e a mãe, que pareciam opostos. Essa polaridade aparecerá sempre na vida do libriano. Tem horas em que ele simplesmente não sabe como agir, quer encontrar a equação mais equilibrada, e não consegue. Secretamente, todo libriano sonha com a 'solução perfeita', em que todos saíam satisfeitos. De algum modo, ele trabalha para conseguir um resultado o máximo possível desta perfeição.
O libriano quer respeitar os próprios desejos, e os desejos do outro. Sempre compreende o outro, mas gostaria de também ser compreendido. É nessa hora que Libra precisa aprender algo com o seu signo oposto, Áries, que claramente se posiciona para 'faça o melhor para você mesmo'. 'Sempre compreender os outros' é algo libriano precisa aprender a não se exceder. Curiosamente, ele que preza tanto o equilíbrio, pode justamente perdê-lo quanto tenta colocar tudo em uma balança! Algumas vezes, o libriano precisa um pouco do instinto. Seria como uma pitada de sal em uma comida: é só um toque. Assim, de vez em quando, ele precisa colocar a sua opinião, dizer claramente o que pensa, para que os outros levem em consideração também o seu ponto de vista, seus desejos e sentimentos.
Assim, finalizando, todo libriano precisa aprender a ser um pouco mais decidido, pois isso não ferirá em nada qualidades notáveis como a diplomacia e o fato de serem normalmente queridos aonde vão.

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Quem quiser que eu coloque sobre o seu signo, deixa um comentário pedindo ;)


Fuisss...

domingo, 25 de maio de 2008

A moda da modinha de não estar na moda

A moda hoje é não estar na moda, ser "undreground".
Na minha época (até parece que faz muito tempo) só exitia dois tipos de pessoas as que eram patis, e as que não eram. Porém, agora se abriu umleque de possibilidades, você pode ser o que quiser, claro desde que você escolha um grupo pré-determinado de pessoas para se envolver, e que você acha, escute, se vista e se comporte exatamente como aquele grupo determina.
Grande democracia social, não??
Surgiu agora uma nova onda, ser Indie. Na verdade eu nem sei o que é isto, só sei que existe. As pessoas já se determinam a ser como tal grupo. Agora sou "Emo" e então vou ser assim. Sou Indie e tenho que agir assim. Sou pagodeiro e sou assim. Sou metaleiro e me visto assim.
Mas e se você quiser se vestir como um Emo e ouvir pagode...porque não pode??
Eu, particularmente, sou a Bibi e acabou, e que não dêem rótulos porque eu não sou lata de sopa.
Mas infelizmente a maioria dos adolescentes não pensam assim, e acabam se tornando o que não são, para estar na moda de não estar na moda (confuso não?). Mas principalmente para estarem no ciclo social, para fazerem parte da "galera", para não serem o excluído da turma. Eles abdicam de suas personalidades. Bom, o problema é deles não ;)
hahahahaha

Fui então

PS: BAHHHHH vi um filme muitoooo legal. "Leões e Cordeiros" é o nome do dito-cujo.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Fones de ouvido complicados

xVocês já reparam o quanto fones de ouvido interno são irritantes.
Hoje me deparei com esta situação, eu prefiro terminantemente fones externos(é aqueles de espuminha mesmo). E dai que eles são grandes, pelo mesnos eu consigo usa-los.
Sabem, o ourificio do meu ouvido não é suficientemente grande para fones internos, ou aquela droga me machuca, ou o meu ouvido expeli ele, ou eu não consigo escuta droga nenhuma, tanto que escutei melhor a música que o cara que tava sentado do meu lado estava escutando do que a minha, e o fone dele era interno também
Eu acho que o cara q inventou esse fone é um fdp, se existisse o fone externo apenas, eu não teria que comprar um produto que vem só com o interno, e na correria de sair de casa eu tivesse q pegar o interno e depois me arrependese de ter pego aquele, mas dai já é tarde pq vc já ta dentro do ônibus, e quela droga fica saindo do seu ouvido,e vc fica com raiva e não quer mas escutar música, mas vc planejou o dia inteiro q vc ia escutar músik naquele momento então vc se obriga a usar assim mesmo o diacho do fone que você teve que pegar por um acidente.....se só existisse fone externo eu teria pegado ele por que não existiria a porcaria do fone interno no meu caminho e eu nao teria pensado, óoo um fone estou atarasada mesmo, dessa vez será diferente, dessa vez ele não ira me machucar!!
Eu só não acho que o cara que inventou o fone interno seja tão fdp que nem o cara que inventou o sache de maionese, pq esse sim se não tivesse inventado esse sache as lancherias teriam que nos servir naqueles potinhos tradicionais de servir condimentos, e nós não nos lambusariamos e nos serviriamos de uma quantidade suficiente, cara desgramado esse ¬¬!!!

Enfim....
aha.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Roteiro prometido - Recordações


Eu estava relendo algumas postagens antigas e notei que prometi postar um roteiro que estava desenvolvendo, bem como vocês notam a data de término é bem antiga, mas antes postar tarde do que nunca ;)


UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS

“RECORDAÇÕES”

Segundo tratamento


Gabriela Kuhn


São Leopoldo, 27 de março de 2008.



CENA 1 – INT/DIA – COZINHA


JOÃO, 30 anos, aparência cansada e com olheiras, entra na cozinha. Ele traz DAVI no colo, um bebê que não aparenta um mês de vida. Cozinha simples, com uma mesa quadrada e pequena centralizada e armários e uma pia nas laterais, ao fundo uma grande abertura por onde se pode ver a sala, que também é simples, na mesa, há uma toalha. João deita DAVI desajeitadamente no carrinho de bebê que está ao lado da mesa. Vai até o armário e pega uma lata de leite Nã, das muitas que tem no armário. Faz mamadeira ao mesmo tempo em que faz caretas engraçadas para a criança. Ele pega o bebê no colo e senta na cadeira oposta ao carrinho, tenta amamentar a criança, mas o bebê chora.

João (baixo):

Deus...

Ele levanta, embala a criança, e canta baixinhu:

João

Dorni lhinhu...nãnãnãnã ração...lalalalalala...paipai tem que trabalhar...(repete)

Depois de um tempo, o bebê se acalma. João vai em direção ao telefone. Encontra dificuldades para segurar o filho, o telefone e discar, mas consegue. Disca:

João

Alô, oi Mara é o João, você pudia cuidar do Davi hoje pra mim??

(espera...)

João

E de tarde??

(espera...)

João

Tah...aham...pode deixa que eu me viro então, brigado.

João aperta o gancho e disca outro número.

João

Oi Mauro, sou eu...eu queria te pedir outro favor, eu não tenho com quem deixa o Davi de manhã e eu queria saber se posso levar ele hoje??...assim...só pela manhã...

(espera...)

João

Tah...brigado cara, olha quando eu consegui uma babá te pago tudo isso em horas dobradas viu!?!

(espera...)

João

Bah! valeu mesmo, um abraço.

João desliga o telefone e sai da cozinha com Davi dormindo eu seus braços.

CENA 2 – INT/DIA – COZINHA

João e Davi estão sentados em lados opostos na mesma mesa de quando Davi era bebê, o telefone e a geladeira se modernizaram. O resto é igual, a toalha é a mesma. Davi agora aparenta 7 anos e está com uma mochila do homem aranha nas costas e de uniforme de colégio. Ele tem cabelos escuros, cacheados, compridos até os olhos, e usa óculos. João tem a mesma aparência, acrescentados de alguns cabelos brancos. João prepara um pão.

João

Tah Davi, mas porque tu não quer ir hoje?

Davi (mexendo com a colher)

Ahhh...pai não tem graça...

João

Mas porque não??Eu vou contigo...

Davi

Por isso mesmo.

João termina de preparar o pão e olha para Davi.

João

Tah...então tu quer que eu não vá é isso??

Davi

Não pai, tu sabe que não é isso, eu só não quero ir...

...é que sem mãe não tem graça hoje...

Os dois se calam e ficam em silêncio por um tempo. Depois de um tempo João fala baixinho e sem olhar para o filho.

João

Tah...fica...

Davi levanta a cabeça e olha pro pai por segundos, olha depois olha para baixo, fica brincando com a comida e fala com voz fraca, tão baixo quanto o pai.

Davi

Brigado.

Depois de um tempo, João fala retomando a voz do inicio da conversa.

João

Não mexe no fogão e qualquer coisa liga.

CENA 3 – INT/DIA – COZINHA

João está de pé na frente da pia, veste um terno e lava a louça. Ele está com o cabelo mais curto. Davi, agora aparentando 13 anos, cabelo um pouco abaixo dos olhos e óculos, veste uma camiseta de rock, bermuda e All star, ele toma café e come pão. A louça é a mesma, a toalha também. Na mesa também há um caderno e duas canetas.

João

E ela é bunita??

Davi (com a boca cheia)

Aham!

João

E tu já falou pra ela??

Davi

Claro que não néh pai...eu só falei uma vez com ela...ela senta lá na frente...tri nerd...

João

Mas tu tem que falar.

Davi

Ai pai, eu não vo fala nada não, ela que venha fala comigo... porque que é sempre a gente que tem que falar!!

João

Porque elas tem que saber se a gente gosta delas, elas são inseguras.

Davi

Ai que coisa chata isso, se elas não fossem tão bunitas eu não ia gosta delas não, ficam lá só cacarejando pelos cantos e dando risadinhas e ainda querem que o cara vá fala com elas, que saco!!!

João ri.

João (rindo)

Ta meu, mas como é que tu quer que uma pessoas saiba que tu gosta dela se tu não for fala isso pra ela?!

Davi

Eu nem quero que ela saiba, vai fica contando pra todas as gurias da escola.

João termina de lavar a louça, e seca as mãos em um pano de prato. Ele faz o retorno na mesa e vai até outro lado onde pega a pasta, que estava na sua cadeira e olha dentro dela. Olha para Davi e fala:

João(fechando a mala)

Vou pro escritório, quer carona??

Davi

Não precisa. Eu vou andando com o Raul.

João

Ta bom. Fecha tudo quando sair, eu vou chegar bem de noite hoje, nada de som muito alto. A tua janta ta na geladeira qualquer coisa, liga e te cuida.

Davi(sem prestar muita atenção)

Aham

João

Ahh...da uma limpada no teu quarto que aquilo ta um caos!

Davi

Ta.

João

Tem dinheiro?

Davi

Tenho.

João

Então compra um refri pra ela!

Davi olha para o pai. João da uma piscada pro filho e sai da cozinha. Davi dá uma risada incrédula, levanta pega a sua louça e leva até a pia. Depois pega o caderno e as canetas e sai da cozinha.

CENA 4 - INT/DIA – COZINHA

Davi, mochila nas costas,olheiras, cabelo cumprido, camiseta de rock, aparenta 17 anos,entra na cozinha, ele tira da mochila alguma coisa não identificável e guarda na gaveta da pia. Depois se serve de café e senta-se à mesa.

João entra na cozinha, se serve de café e se senta no seu lugar à mesa.

João

Eu não quero que você toque hoje.

Davi(insultado)

O que?

João(olhando para Davi)

Eu não quero que você toque hoje.

Davi pega uma das baquetas e a gira entre os dedos.

Davi(ironizando)

Como se fizesse alguma diferença!

João

Faz! Tu não vai.

Davi( alterando a voz)

O que há de errado em eu tocar hoje??

João(fazendo um pão)

Não há nada de errado em tu tocar. O problema é com quem tu vai tocar.

Davi(irritado)

Ahh tah...vai implica com meus amigos também?!?

João(ainda fazendo um pão)

Não são teus amigos.

Davi se levanta irritado e grita.

Davi

Isso é eu que decido!!

Davi sai da cozinha irritado. João come o pão calmamente. Ouve-se um chacoalhar de porta. Davi volta pra cozinha.

Davi(sério)

Cadê a chave?

João(irônico)

Que chave?

Davi

A da porta.

João(irônico)

Você perdeu a sua?

Davi(irritado, gritando)

Eu não acredito que tu trocou!

João(irônico, comendo o pão)

Eu nunca entendi como tu consegue ser tão esperto pra algumas coisas e tão idiota pra outras.

Davi(irritado)

Me da a chave pai!

João não olha para Davi e come o pão.

Davi

Eu tenho que ir pro colégio!

João(calmo)

Pra que colégio, se tu já ta rodado mesmo.

Davi

Ok, se tu não me der a chave eu vou lá e arrombo!

João(olhando para Davi, sério)

Arromba...pode arromba, mas se tu sair por aquela porta e for encontra com aqueles guris que se dizem teus amigos, tu arranja um pai por lá e esquece de mim.

Eles ficam se olhando por uns instantes e Davi sai da cozinha sem dizer nada.

João toma um gole de café e dá um soco na mesa.

CENA 5 – INT/DIA – COZINHA

João e Davi estão sentados a mesa tomando café. João tira da pasta uma caneta e uma folha. Ele entrega para Davi.

João

Preenche.

Davi olha para o pai e depois pega o papel e a caneta e começa a escrever.

João volta a mexer na pasta e tira uma tesoura. Ele coloca ao lado da folha em que Davi esta escrevendo.Davi olha para a tesoura e depois para o pai.Volta a escrever na folha.

CENA 6 – INT/DIA – COZINHA

João entra na cozinha. Ele traz um embrulho e coloca-o sobre a mesa. O telefone e a TV na sala mudaram. João aparenta felicidade. Ele pega a louça no armário e põe sobre a mesa, se serve de café e vai até sua cadeira. Ele toma o café e fica batendo os dedos na xícara. Davi entra na cozinha, João observa. Davi está o mesmo exceto pelo cabelo curto, veste uma camiseta branca e calça jeans. Davi enche uma xícara com café e se senta à mesa, na frente do pai.

João empurra devagar o embrulho em direção a Davi que olha para o embrulho e depois para o pai. João faz um sim com a cabeça e Davi pega o presente e o abre. É uma calculadora científica. Davi olha com um sorriso para o pai que pisca para ele e fala.

João

Você vai precisa de uma agora!

Davi(guardando a calculadora)

Obrigado!

João começa a preparar um pão.

João

Vai precisar de ajuda pra reunir os documentos?

Davi

Não, já ta tudo certo eu só preciso da certidão da mãe.

João

Depois eu pego pra ti.

Davi

Tah.

Eles fazem silêncio por uns instantes.

João

Então...quer sair, hoje de noite... Pra comemora??

Davi

Pode ser, a gente já aproveita e comemora a tua aposentadoria.

João da uma risada e morde o pão.

João

É...já não era sem tempo...

Davi(com a boca cheia)

Pras duas coisas.

CENA 7 – INT/DIA – COZINHA

João está sentado à mesa ele toma café e lê o jornal, está de pijama, a louça do café é a mesma. Agora está mais velho do que antes. Davi entra na cozinha ele pega uma xícara enche de café e toma sem se sentar. Depois se vira para o pai, pega uma banana na mesa e coloca na mochila que carrega.

Davi

To atrasado, tenho que chegar lá em 15 minutos.

João ri.

Davi

Que foi?

João(rindo)

Se não tivesse chegado tão tarde ontem.

Davi ri.

João

Pelo menos surtil efeito??

Davi(rindo)

Vou levar ela no cinema hoje!

João

iiii...já vi que perdi o parceiro!

Davi

Ahhh...tem jogo todo dia quase!

João

Não Grenal.

Davi

Verdade...mas a causa é boa.

(pausa)

Ta, vou lá então, já sabe que eu não volto pra janta né.

João

Divirta-se!

Davi

Brigado...ahh pai, troca a água dos beija-flor pra mim faz um favor?!?

João

Troco.

Davi

Valeu...qualquer coisa liga.

João

Aham

Davi sai da cozinha e João volta a ler o jornal.

CENA 8 – INT/DIA - COZINHA

João e Davi estão sentados na mesa, um oposto ao outro. Davi está de terno. João está de pijama e tem cabelos completamente brancos, está um pouco mais gordo. Davi olha no relógio de pulso, se levanta, vai até o armário pega uma pote e abre. Ele está cheio de caixas de medicamento. Davi pega três caixas diferentes e tira um comprimido de cada caixa, devolve os medicamentos ao pote e o guarda. Depois vai até a pia, enche um copo de água e entrega-o para o pai junto com os comprimidos. Senta em sua cadeira novamente e continua tomando seu café. João toma os comprimidos, se levanta e vai até a geladeira mancando. Pega uma jarra de leite e volta a sentar à mesa. Enquanto se serve de leite fala para o filho.

João (resmungando)

Já que alguém não deixa eu tomar café.

Davi larga o jornal que estava lendo, olha para o pai e fala.

Davi

Por mim tu tomaria todo o café do mundo, mas não sou eu quem decido, pai.

João da de ombros para Davi e toma um gole do leite.

Depois de instantes fala.

João

Davi, eu liguei pro buffet e eles me deram o orçamento.

Davi

E vai sair muito caro?

João(rindo)

Depende de quantas pessoas vocês forem convidar.

Davi

Quanto?

João

17,90 por cada, e o cardápio eu não me lembro de cabeça, mas eu anotei.

Davi

17,90?? bah mas ta tri caro isso!

João

Foi o que falei pra eles, mas não adiantou muito. Ficaram falando um monte de bobagens no telefone.

Davi

Falo com a Isabel depois e a gente vê isso.

João toma outro gole do leite.Davi toma café.

João

Ela vem aqui depois?

Davi volta a ler o jornal.

Davi

Aham...te ajuda com o terno.

João

Que horas?

Davi

Depois que ela sair da escola.

João

E que horas ela sai?

Davi pára de olhar pro jornal, olha pro pai, toma um gole de café e fala.

Davi

Às cinco.

João

Ah é!

João pega um pão e começa a cortá-lo.Depois de um tempo Davi fala.

Davi

Pai, faz uma força?!

João

Eu faço.

CENA 9 – INT/DIA – COZINHA

A cozinha tem a mesma disposição dos móveis, a mesa é a mesma o telefone na parede, o fogão e a geladeira, mudaram. Há na pia, só um prato e um par de talheres sujos de molho seco. João está sentado à mesa, no seu lugar habitual. Batidas na porta. João levanta sai mancando da cozinha.

OFF

MENINA

Oi vô!

João

Oi querida!

Davi

Oi pai!

João

Já tava te esperando.

Batida de porta. Passos. As vozes se aproximam.

Davi

É eu sei...é que a Isabel enjoô.

João

Ahhh a Isabel... e onde é que ela ta?

Davi, de bermuda, camiseta e cabelo ralo e grisalho entra na cozinha, junto com João, que manca. Uma menina de cabelos escuros, compridos até a cintura, e pele branca, vem apoiando João, como se pudesse segura-lo. Ela veste uma camiseta do internacional, aparenta 8 anos.

Davi

Deixei na mãe dela.

João

E o Pedro?

Davi

Ficou com ela.

João senta na sua cadeira e a menina senta em seu colo. Davi senta na cadeira vazia.

João

Ele não vai olha o jogo?

Davi

Ele é gremista pai.

João

Porque a Isabel não deixou eu levar ele nos jogos.

Davi

Não ia fazer diferença

João

Eles vêm pra cá depois??

Davi (enquanto corta um pedaço de bolo)

Aham...

Davi

Ana sai do colo do teu avô!

João

Deixa a menina.

Ana

Ta machucando vô?

João(com ternura)

Não querida, pode ficar

Davi olha para Ana que da um sorriso para o pai.

João olha para a Ana e fala com entusiasmo

João

Eu já comprei os foguetes!

Ana

Oba!

Davi olha para Ana e depois para o pai.

Davi

Tu é pior que ela.

Ana

Cadê tua camiseta vô?

João

Ta lá dentro junto com a bandeira, eu vou bota depois pra comemora!

Davi

Pára de fala isso pra ela, depois perde é eu que tenho que agüentar ela chorando em casa.

João

Não te preocupa, não vai perde.

Davi da uma risada incrédula.

Ana

Vou ver se já começaram a transmitir.

Ana desce do colo do avô, sai da cozinha e senta no sofá da sala.

João

E então??Vão vir pra cá no natal??

Davi

A Isabel quer ir pra mãe dela. Ai o senhor vai junto.

João olha para a sala e bate os dedos na mesa.

João

Eu queria que vocês viessem pra cá.

Davi ri e corta mais um pedaço de bolo. João olha pra ele e fala.

João

Pelo menos eu posso ser o papai Noel??

Davi ri come o bolo e olha para a sala onde Ana está sentada no sofá olhando a TV de 29’.

Davi

E tu achas que a Ana vai deixar ser outra pessoa?

João ri e corta um pedaço do bolo.

CENA 10 – INT/DIA – COZINHA

Davi está sentado à mesa que está sem toalha. A sua frente, a cadeira de seu pai está vazia. Pelo chão, caixas cheias de embrulhos de jornal. Não há nada nas prateleiras dos armários. A cadeira de João está empoeirada. Na mesa está a louça do café da manhã, junto com um jornal amarelado, uma caneta e uma caixa de papelão. Davi olha para a louça e depois para a cadeira vazia. Dá um suspiro e começa a embrulhar a louça com o jornal amarelado. Depois guarda os embrulhos na caixa e escreve nela “Recordações”. Deixa a caneta sobre a mesa, pega a caixa e sai da cozinha. Ana entra na cozinha com uma camiseta do internacional na mão. Ela “veste” o encosto da cadeira empoeirada e senta nela. Troca a forma de sentar varias vezes. Levanta. Abraça o encosto da cadeira e sai da cozinha correndo.


- Roteiro desenvolvido para o P.A (Cadeira) de Roteiro II da UNISINOS.


FEITO O CARRETO =)