domingo, 28 de setembro de 2008

Mídia

Ética da mídia

Por Boris Libois

O campo histórico e sociólogo coberto pela referência à ética da mídia é extremamente diversificado e até heterogêneo. Em primeiro lugar, do ponto de vista da pluralidade dos suportes técnicos da comunicação midiática. Em seguida, do ponto de vista da diversidade dos suportes editoriais. E por fim, do ponto de vista dos profissionais que intervém sobre essas questões.
Quatro grandes doutrinas estruturam o campo histórico e sociólogo da ética da comunicação e informação. São elas: a doutrina autoritária, a doutrina libertária, a doutrina liberal e a doutrina da responsabilidade social da mídia. Na realidade, a problemática ética do domínio da mídia é ainda realidade na Europa e nos Estados Unidos. Trata-se, atualmente de determinar a problemática ética na mídia comum a todos os suportes de comunicação e as diversificadas profissões. O credo da ética da mídia pode ser entendido a priori da mídia ou no modo de formulação e uso dos anseios normativos ao seu respeito.

Quatro doutrinas principais

A problemática ética a respeito da mídia desenvolveu-se em torno de dois eixos principais: o reconhecimento formal da liberdade de comunicação e a organização da responsabilidade editorial.
O primeiro consagra a liberdade de empreendimento do domínio da mídia, e por outro lado, o reconhecimento da liberdade de expressão. Aqui, duas doutrinas se contrapõem: a concepção autoritária da liberdade de comunicação e a concepção libertária.
A doutrina autoritária caracteriza-se por uma autorização preliminar relacionada com a liberdade de expressão publica individual, com seu conteúdo e suas formas materiais. A liberdade e a responsabilidade estão submissas a um regime de controle a priori, exercido pelas autoridades politico-administrativas.
A doutrina libertária caracteriza-se pelo reconhecimento geral da liberdade individual de expressão de opiniões e de informações. A responsabilidade, neste caso, é assegurada a posteriori.
O segundo trata das contrapartidas a liberdade geral de comunicação a fim de evitar uma redução da mídia a um estatuto de simples protagonista econômico industrial. Duas doutrinas se destacam aqui: a doutrina liberal da liberdade de comunicação e a doutrina de responsabilidade social da mídia.
A doutrina liberal da liberdade de comunicação defende que a legitimidade de uma intervenção do estado é reconhecida, contanto que seja limitada a uma correção da lógica do mercado.
A doutrina de responsabilidade social da mídia também rejeita qualquer tipo de intervenção preliminar da liberdade de expressão e informação. E contrapartida, ela reconhece que a mídia tem deveres e responsabilidades particulares em relação a coletividade.

Problemática

Caracterizada por uma ideologização da critica do estado, a doutrina libertaria rejeita em bloco qualquer forma de ação publica no domínio da comunicação. Além disso, a doutrina libertária desqualifica cada um dos elementos distintos dessa seqüência histórica particular.
As outras doutrinas no domínio da liberdade da comunicação poderão ser decifradas com uma tentativa de desenredamento progressivo e parcial dessa seqüência, reconhecendo uma autonomia própria a cada um de seus componentes e inscrevendo-se de maneira mais global no eterno processo de desincorporação do poder e de dessubstânciação da norma. Em outras palavras a intervenção publica poderia assumir outra forma que não a censura preliminar, sem ser restritiva para a liberdade. Da mesma forma, ela poderia pesar igualmente sobre os conteúdos veiculados pela mídia, sem ditar arbitrariamente seu teor.
Em conclusão, a comunicação midiática é o objeto principal de uma ética contemporânea da mídia, propriamente democrática e não somente não-autoritária: ela deverá tornar essa comunicação midiática satisfatória em relação às exigências normativas da intersubjetividade, sem por isso regredir em relação às capacidades funcionais de eficiência e de autonomia oferecidas pelo serviço midiático.

Gabriela Kuhn

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

1989

Próximo do meu aniversário, posto aqui, notas do ano que nasci.

1989

O ano de 1989 foi um ano de passagem. Tudo era passageiro, descartável. A moda, o papel do pirulito e até o governo. Abriu-se a passagem da liberdade. Os jovens, que já tinham começado a enxergar o que acontecia de verdade, a agir e a desalienar-se, porém agora, já estavam de olho em outras coisas. Estavam aproveitando a vida, porque “o amanhã era incerto”. Com isso, doenças passaram a se disseminar e Cazuza, nos mostrou com apenas uma imagem, as conseqüências dessas doenças. Afinal uma imagem vale mais do que mil palavras, e 1989 foi o ano das imagens.

Nossos atos eram importantes e o que fazíamos aqui tinha repercussão no outro lado do planeta. Isso tudo, porque o mundo passou a olhar para os lados e ver o que acontecia no vizinho. Já dependíamos um dos outros então começamos a cuidar um dos outros e a interferir um nos outros.

Foi um ano High Tech. Um ano do “ao vivo”. A comunicação foi facilitada e as pessoas já não pertenciam mais a sua cidade, mas sim ao mundo. Porque rompemos fronteiras. Porque já se podia saber o que acontecia no agora em todo o planeta.

Abrimos passagem, derrubamos um muro e criamos contatos.

O ano foi de grandes acontecimentos, e também de acontecimentos não tão visíveis assim, mas que tiveram repercussão. Foi um ano de passagem de uma guerra camuflada para uma guerra que marcou por imagens assustadoras. Uma guerra que ocorreu antes de 1989, deu fim ao comunismo no ano, e que, depois, chocou o mundo.

E 1989 têm o que a ver com isso? As duas guerras não foram nesse ano, mas foi em 1989 que o comunismo desmoronou junto com o muro. Com o apoio não declarado pelos Estados Unidos, o Afeganistão venceu a guerra. Porém os nossos amigos americanos não sabiam que estavam treinando algo que desmoronaria suas estruturas anos depois. O Afeganistão recebeu treinamento de guerra armas e suprimentos, mas e depois? Depois que seu país foi destruído, que estavam em ruínas? Eles já não tinham com quem contar depois. E um país que vence seu inimigo sem precisar sacrificar nenhum de seus soldados e passa por um 1989 heróico, acaba perdendo milhares de civis anos depois. Isso por serem incapazes de perceber o erro que fizeram investindo 1 bilhão de dólares em uma guerra e não investido nem 1% desse valor na reconstrução de seu campo de batalha contra a União Soviética.

A moda também é um exemplo de passagem. Moda essa que seguia as tendências que passavam na televisão. E passavam mesmo, pois a cada novela era uma versão nova de moda. A moda era só um reflexo do que acontecia com a sociedade. Uma sociedade de momentos passageiros. Momentos que aconteciam “aqui e agora” e passavam.

E a moda era do mundo, víamos tudo na televisão e copiávamos. Copiávamos bastante, porque tudo que era moda hoje passava, e talvez amanhã já fosse brega. Na verdade só copiávamos e consumíamos. Viramos um mundo globalizado e capitalista.

Na televisão produzíamos, mas também nos era vendido enlatados Americanos. Ah e os Americanos! Esse concerteza foi um ano americano. Mas eles já eram potência mesmo antes de 89. O que aconteceu é que agora nós o olhávamos com olhos não tão receptivos.

Em 1989 vimos o nosso primeiro regime democrático, e junto com ele, passamos por uma inflação absurda que ajudou a eleger um presidente que levou nossa economia a falência e atrasou o país em anos. Vimos nosso dinheiro se tornar passageiro. Hoje valia muito, mas amanhã não comprávamos nem o pirulito que voava.

Mas nós globalizamos, e tudo continuou passando.

Definitivamente 89 não foi um ano apenas. Foram 364 dias que enfrentaram conseqüências de anos anteriores e que geraram conseqüências nos anos que vieram. Passamos por uma transformação na sociedade, na política e na economia. Passamos a aproveitar, e passamos a cruzar o mundo. Passamos a nos comunicar e a exercer diplomacia. Passamos a viver em um mundo que está mudando constantemente e que nos espera a fazer alguma coisa por ele. Iniciamos nossa convivência, mas é uma pena que ainda não aprendemos a conviver.

Gabriela Kuhn